20 julho 2013

A Infância


Eu tenho um ermo enorme dentro do olho. Por motivo do ermo não fui um menino peralta. Agora tenho saudade do que não fui. Acho que o que faço agora é o que não pude fazer na infância. Faço outro tipo de peraltagem. Quando eu era criança eu deveria pular muro do vizinho para catar goiaba. Mas não havia vizinho. Em vez de peraltagem eu fazia solidão. Brincava de fingir que pedra era lagarto. Que lata era navio. Que sabugo era um serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto.

Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação.

Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão: de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças, de um pássaro e sua árvore. Então eu trago das minhas raízes crianceiras a visão comungante e oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem pudor. Eu tenho que essa visão oblíqua vem de eu ter sido criança em algum lugar perdido onde havia transfusão da natureza e comunhão com ela. Era o menino e os bichinhos. Era o menino e o sol. O menino e o rio. Era o menino e as árvores.


(Memórias inventadas. Manoel de Barros, São Paulo: Planeta do Brasil, 2010. p. 187)

27 junho 2013

Obediência


Vazio. Nada me habita. Nada me convém. Meu corpo é instrumento do vento, meus pensamentos são engatilhados pelos sons da TV, ligada no escuro. Nem o ar me compõe. Há somente o vácuo. Quero sentir, sim, quero sentir. Quero que a dor chegue e se acomode. Talvez ela me faça sentir mais viva e menos fora dessa roda-gigante que é a vida. Nada. Ela não vêm. Continuo chorando, mas a dor, a dor de fato, não me domina. Choro por tudo e choro pelo nada. Vacilantes pensamentos me cercam e me olham com desdém. Que tipo de mulher, é você? Mas que diabos?! Minha alma ouve com resignação absoluta. Sou. Sou e não sou.  Vazio, vazio, vazio. Alguém me dê ar! Alguém me tire daqui!

Toca fundo a minha alma. Toca no mais profundo que você possa alcançar. Percebe o vazio que há em mim? Tem jeito? Você acha que tem jeito de preenchê-lo? Por favor, me responda.

Como eu cheguei até aqui? Não sei. Um turbilhão de decisões mal tomadas e uma resignação assustadora. Sou assim desde a infância, sabe. Uma lembrança ainda me atormenta. Não sei se, de fato, a vivi, mas a carrego comigo desde a mais tenra infância. A mulher que estava encarregada de cuidar de mim me manda acordar. Rispidamente diz: Acorde, vamos! Eu, criança pequenina, obedeço, acordo e calmamente me dirijo a sala da minha casa. Ela manda que eu sente no sofá. Eu me sento e ela me empurra uma mamadeira de leite morno. Ande, tome! Se fizer sujeira vai limpar, heim? Obedeço. Ela fala para que eu não me levante do sofá. Obedeço. E fico ali durante horas e horas. Visto apenas uma camisola florida e uma pequena calcinha. Quero ir ao banheiro. Ela ordena que eu permaneça onde estou. Obedeço.

Nunca fiz nada na minha vida que não fosse obedecer. Obedeço sem pestanejar.

Vamos menina, engula esse choro! Me olha nos olhos com ar desafiador. Que olhos terríveis! Por que não gosta de mim? Engula, vamos, estou mandando. Obedeço. E calmamente engulo saliva e dor. Nada dói tanto quanto isso. Um misto de resignação e humilhação se apetecem de mim.  


Ah, sim. Agora posso senti-la. Ah, dor. Sim, você! Deixo que você se apodere de mim e obedeço aos seus mais claros instintos. Deito-me no chão e soluço copiosamente de tanto chorar. Mas esse choro, esse, sim, é de alívio. Anda, me lava a alma, me cura desse nada.  Me alivia desta morte certeira que é viver sob o estigma da obediência. 

08 junho 2013

Espero por ti no meio das gaivotas



Por que motivo apenas te aproximas de mim quando queres fazer amor? No resto do tempo chegas do banco e és só jornal e calças no sofá, se tento falar-te o jornal treme de zanga, sobe mais um pouco, as pernas cruzam-se, impacientes, em sentido contrário, o sapato fica a dar e dar no vazio, toco-te e encolhes-te, faço-te uma festa no cabelo e a cabeça diminui de tamanho, arrepiada, um protesto ronca das notícias

- O que foi agora?
- Já nem se pode ler em paz?
- Fazes o favor de não me despentear?

jantas calado a rolar bolinhas de pão entre suspiros, desapareces antes que eu acabe de comer, nem uma palavra para a minha saia nova, uma pergunta sobre como me correu o dia nas Finanças, um beijo, ficas de mãos nos bolsos a olhar o prédio em frente, atiras o canal para o desporto quando começa a novela, aborreces-te do desporto, carregas no botão e reaparece a novela

- Olha essa porcaria à tua vontade

tudo te enjoa, te aborrece, te cansa e uma vez por semana, quando já estou meia a dormir, o teu braço a arrepelar-me, o ombro que me aleija, uma vertigem rápida, um caminhão a abanar o prédio na rua, eu a fixar os números luminosos do despertador ao lado das tuas costas indiferentes, o que aconteceu, amor, para mudares assim tanto

(- Não mudei nada, que mania)

ao conhecermo-nos, há dez, minto, há onze anos, chegavas-te a mim embrulhado em vénias de timidez, a ensaboar as mãos, com o sorriso borboleteando em volta da boca sem se atrever a poisar

-Um dia destes convido-a para um café, menina Clara.

tão atencioso, tão terno, tão preocupado comigo, a notar quando eu mudava de brincos, de penteado, de anel

- Que bem Ihe fica a franja, menina Clara

o meu pai simpatizou logo contigo por te levantares, com o tal sorriso a adejar, mal eu entrava na sala, o que aconteceu, amor, para mudares assim tanto

(- E ela a dar-lhe, que gaita)

descíamos para a muralha do rio, em novembro, com as gaivotas todas na praia, corríamos de mão dada a assustar os pássaros, achavas-me graça, achavas-me bonita, dizias que eu ficava linda a correr

- Parece mesmo uma gaivota, sabia?

que qualquer dia me escapava de ti, a bater as asas no rasto de um cargueiro turco, perguntavas-me ao ouvido, aflitíssimo, ansioso

-Nunca me deixa, pois não?

(- As fantasias que tu vais buscar, meu Deus)

apertavas-me tanto pela cintura que quase não conseguia respirar, por favor explica-me o que fiz de mal pare mudares assim tanto, ainda sou capaz de correr da mesma maneira se voltarmos a praia em Novembro, que é feito do teu sorriso e do ensaboar das mãos, ponho um batom diferente, a blusa decotada, os sapatos que nunca me atrevi a usar para os homens não se meterem comigo na avenida

- Ainda há quem me ache engraçada, sabias?

(- Pois que lhes faça muito bom proveito)

desço lá abaixo à muralha e fico no meio das gaivotas à espera que chegues

(- Agora deste em maluca ou quê?)

sem jornal, sem caretas, sem bolinhas de pão, a convidares-me, nervoso, para um cafá na esplanada, soprando pelo meio do sorriso que não para, que não pare

- Apetece-me tanto dar-lhe um beijo, Clarinha

(- As parvoices que a gente diz em novo, senhores)

e nisto, não sei se deste conta, as gaivotas sumiram-se todas e ficamos sozinhos, amor, só a praia e as ondas e eu tão contente, tão com a certeza ainda tenho a certeza

(- Cada qual tem as certezas que quer)

de sermos felizes para sempre, de podermos ser felizes se um dia me deixares... deixas não deixas, aposto que deixas

(- Que teimosia, que insistência, Já é cisma, caramba)

abraçar-te.
António Lobo Antunes - Segundo Livro de Crônicas, 2009.

07 junho 2013

Do latim, taedium.


Além-tédio

Nada me expira já, nada me vive ---
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.

Como eu quisera, enfim de alma esquecida,
Dormir em paz num leito de hospital...
Cansei dentro de mim, cansei a vida
De tanto a divagar em luz irreal.

Outrora imaginei escalar os céus
À força de ambição e nostalgia,
E doente-de-Novo, fui-me Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.

Parti. Mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu... Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A própria maravilha tinha cor!

Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou-me assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tédio.

E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes, mais esguios...

                      Mário de Sá-Carneiro

06 junho 2013

Omelete de Amoras


Esta velha história, conto-a àqueles que agora gostariam de experimentar figos ou Falerno, o borscht ou uma comida camponesa de Capri. Era uma vez um rei que chamava de seu todo poder e todos os tesouros da Terra, mas apesar disso, não se sentia feliz e se tornava melancólico de ano a ano.

Então um dia, mandou chamar seu cozinheiro particular e lhe disse: - Por muito tempo tens trabalhado para mim com fidelidade e tens servido à mesa os pratos mais esplêndidos, e tenho por ti afeição. Porém desejo agora uma última prova de teu talento. Deves me fazer uma omelete de amoras tal qual saboreei há cinquenta anos, em minha mais tenra infância. Naquela época meu pai travava guerra contra o perverso vizinho do oriente. Este acabou vencendo e tivemos que fugir. E fugimos, pois, noite e dia, meu pai e eu, até chegarmos a uma floresta escura. Nela vagamos e estávamos quase a morrer de fome e fadiga, quando por fim, topamos com uma choupana. Aí morava uma vovozinha, que amigavelmente nos convidou a descansar, tendo ela própria, porém, ido se ocupar do fogão, e não muito tempo depois estava à nossa frente a omelete de amoras. Mal tinha levado à boca o primeiro bocado, senti-me maravilhosamente consolado, e uma esperança brotou em meu coração. Naqueles dias eu era muito criança e por muito tempo não tornei a pensar no benefício daquela comida deliciosa. Quando mais tarde mandei procurá-la por todo o reino, não se achou nem a velha nem qualquer outra pessoa que soubesse preparar a omelete de amoras. Se cumprires este meu último desejo, farei de ti meu genro e herdeiro de meu reino. Mas, se não contentares, então deverás morrer. - Então o cozinheiro disse: Majestade, podeis chamar logo o carrasco. Pois na verdade, conheço o segredo da omelete de amoras e todos os ingredientes, desde o trivial agrião até o nobre tomilho. Sem dúvida, conheço o verso que se deve recitar ao bater os ovos e sei que o batedor feito de madeira de buxo deve ser sempre girado para a direita de modo que não nos tire, por fim, a recompensa de todo o esforço. Contudo, ó rei, terei de morrer. Pois apesar disso, minha omelete não vos agradará ao paladar. Pois como haveria eu de temperá-la com tudo aquilo que, naquela época, nela desfrutastes: o perigo da batalha e a vigilância do perseguido, o calor do fogo e a doçura do descanso, o presente exótico e o futuro obscuro. - Assim falou o cozinheiro. O rei, porém, calou um momento e não muito tempo depois deve tê-lo destituído de seu serviço, rico e carregado de presentes.

Walter Benjamin - Obras Escolhidas vol II - Rua de Mão Única -Editora Brasiliense, 1987.

21 maio 2013

O Amor é Um Rock


Se você tá procurando amor
Deixe a gratidão de lado:
O que que amor tem que ver
Com gratidão, menino,
Que bobagem é essa?

24 janeiro 2013

Sobre Cigarrilhas e Corações Ateus



Viveu toda uma vida tiranizada por um homem. Submetida aos seus desgostos e contratempos, aos seus caprichos, aos seus desejos quase que profanos. Acalentada por uma força estranha, que nunca deixou sua pobre luz apagar-se, continuava tateando algum caminho para seguir no meio daquela triste vida que escolhera para si. O seu coração tornou-se ateu.

Nem sempre fora assim. Quando jovem os seus cabelos negros, formavam grandes cachos rebeldes que emolduravam seu rosto e simbolizavam um pouco de sua alma. Era livre. Livre eram suas ideias e ideais, livres eram seus passos, livre era o seu coração. Os grossos cabelos, sempre soltos, andavam pela cidade criando para si falsos amores de pobres coitados. Não pensava em se casar. Fumava cigarrilhas de palha escondido da sua severa mãe, nos intervalos do trabalho na fábrica de tecidos. Cantava nas festas de reinado e nas procissões. Gostava de dançar suas valsinhas. Economizava meses para comprar lindos vestidinhos que usava para ir à missa e aos bailes da pequena cidade do interior.

Nunca soube porque escolhera aquele homem para  se casar. Nunca conseguira entender o porquê daquele desejo descabido de contrair matrimônio. Talvez por força de um relógio biológico imaginário, que observava todas as irmãs, primas e amigas se casando e tendo seus filhos, enquanto ela, acompanhada da cigarrilha e ao pé da radiola embalando velhas canções, continuava solteira.

Um belo dia, quando na soleira de sua casa, o viu passar. Rapaz alto, não muito bonito. Andar descompassado, chapéu puído. Seus olhares se cruzaram. Pensou que o amava. Ele julgava que ela haveria de ser uma boa mãe para os seus filhos. Com a benção da família se casaram. Eu olho agora a antiga fotografia do casamento. Os seus negros cabelos estavam presos em um alto coque, adornado por um véu rendado.

O fato é que nunca, nem por um segundo, se amaram. Tinham sim, um sentimento formado por setenta anos de convivência quase que forçada. Mas não era amor. Sabiam disso. Ele sabia quando, nas noites de sexta-feira, encontrava abrigo no ventre de outras mulheres. Ela também sabia que não era amor quando dava à luz mais um filho - dos tantos- que tiveram juntos, quando lavava e estendia ao sol a roupa daquele estranho que dormia ao seu lado, quando lhe servia o jantar, quando na escuridão do quarto ele lhe dava beijo ocos - e raros - antes de penetrá-la com tédio e frieza.  

Viveu por setenta anos ao seu lado. Tiveram 8 filhos. Construíram uma boa casa. Assim que casou ela parou de trabalhar. Largou as cigarrilhas -  hábito que ele abominava. Parou de dançar. Não mais cantava.  Os vestidinhos da época de solteira acumulavam pó e saudade dentro do armário. Os cabelos sempre presos em um gordo coque, escondidos por um lenço de feltro velho. Suas ideias sobre a vida transformaram-se no mais puro reflexo daquele homem. Tudo o que ele pensava ela concordava sem pestanejar. Ela o seguiu por setenta anos. Até que a morte, densa e generosa, o levou desta vida.

Foi quando seus negros olhos, quase cegos pela idade, contemplaram o céu. Era como se sua vida não tivesse mais propósito algum. Os filhos já estavam todos criados. A ampla casa que com tanto esforço haviam construído, agora parecia ( e estava ) vazia. Sentou-se no sofá, ainda com as negras roupas com as quais havia ido ao enterro do homem com quem viveu toda uma vida. Passou as mãos em seu próprio rosto. Não havia lágrimas ou algum resquício de que elas estiveram ali em algum momento.

Foi então que chegou , mansa e serena, uma sensação de alívio. Quase assustadora a princípio, é bem verdade. Mas a sua alma foi deixando-se cobrir por aquela impressão tão nova e desconhecida. Com as mãozinhas enrugadas procurou no vestido o zíper lateral. Puxou-o delicadamente para baixo. Despiu-se por completo, deixando suas vestes no sofá. Foi para o quarto, completamente nua. O corpo branco e senil parecia flutuar pela casa acarpetada. Abriu o seu armário e procurou pelo vestido mais colorido que seus olhos pudessem encontrar. Um vibrante vestido floral com botões de madrepérola estava esquecido no fundo do armário. Se vestiu com ele sem pensar muito. Soltou os cabelos, agora prateados. Eles caíram lentamente em seus ombros. Calçou seus chinelinhos. Pegou sua bolsa e saiu. Queria ver se encontrava para comprar cigarrilhas no armazém da esquina.


30 dezembro 2012

DE ÁGUA NEM TÃO DOCE




Criava uma sereia na banheira. Trabalho, não dava nenhum, só a aquisição dos peixes com que se alimentava. Mansa desde pequena, quando colhida em rede de camarão, já estava treinada para o cotidiano da vida entre azulejos.

Cantava. Melopeias, a princípio. Que aos poucos, por influência do rádio que ele ouvia na sala, foi trocando por músicas de Roberto Carlos. Baixinho, porém, para não incomodar os vizinhos.

Assim se ocupava. E com os cabelos, agora pálido ouro, que trançava e destrançava sem fim. "Sempre achei que sereia era loura", dissera ele um dia trazendo tinta e água oxigenada. E ela, sem sequer despedir-se dos negros cachos no reflexo da água da banheira, começara dócil a passar o pincel.

Só uma vez, nos anos todos em que viveram juntos, ele a levou até a praia. De carro, as escamas da cauda escondidas debaixo de uma manta, no pescoço a coleira que havia comprado para prevenir um recrudescer do instinto. Baixou um pouco o vidro, que entrasse ar de maresia. Mas ela nem tentou fugir. Ligou o rádio, e ficou olhando as ondas, enquanto flocos de espuma caíam dos seus olhos.

Colasanti, Marina. contos de Amor Rasgados. Rio de Janeiro: Record, 2010.

06 julho 2012



De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...

Portanto devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo...
Da queda um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro...

Fernando Sabino

11 maio 2012



"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajeto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova, não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projeto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples ato de respirar.
Estejamos vivos, então!”

Martha Medeiros