20 setembro 2010

"À espera dos olhos líquidos" ou "Para quando você encontrar o grande amor da sua vida"


Pode chegar. Eu estou aguardando você. Chegue assim, como quem nada quer, como quem nada planeja. Não me traga nada, não espere nada. Apenas venha com a alma aberta, com o coração livre. Só tenha aquele desejo por algo mais, aquele brilho no olhar. Olhe-me sempre. Olhe dentro de mim, descubra, mergulhe, conheça, desbrave. Eu sou um universo desconhecido, porém habitável. Aqui tem água potável, pode beber. Tenha olhos que enxergam verdadeiramente. Me entende? Aqueles olhos enormes, líquidos, que transbordam verdade, que derretem qualquer olhar distraído que se aventure a cruzar com eles. Me encante. Me cative. Tenha vontades e decida por si só. Acorde num domingo de manhã e decida conhecer Fernando de Noronha, ou sei lá, qualquer outro lugar.

Chegue, chegue mais. Eu não mordo não. Me conte um pouco mais sobre você. Sofreu de amor? Ah, não faz mal. Sou especialista em curar almas em frangalhos. Quer conhecer o mundo? Será que aceita acompanhante? Dê tempo ao tempo e em breve estaremos prontos. E então, finalmente, você poderá me buscar, onde quer que eu esteja. Na índia, em Bali ou no Japão. Eu estarei pronta para você, cativa de seus olhos líquidos. Você vai chegar, e vai ter aquela voz indescritível, aquele cheiro que arrebata, aquela cor que hipnotiza. Vai chegar assim de repente e irá me pegar pelas mãos (desejando mesmo me carregar em seu braços), vai me olhar e então eu vou entender: fomos feitos um para o outro. E você vai me complementar, jamais suplementar. Vai me fazer mais corajosa e mais audaciosa, pois ao seu lado eu serei capaz de tudo. E juntos não teremos medo dos caminhos obscuros, nem das quedas livres. Nos seus braços poderei desaparecer, pois de certo, já não importa o mundo e as pessoas que nele habitam. A mim bastará você, e a você bastará a mim. Pronto?