25 setembro 2008

Cansaço


Cansada dessa vida sufocante,de todas essas preocupações que me cercam todos os dias,cansada de sonhar,de pensar,de acreditar,cansada de ser e de não ser ,cansada de esperar,sonhar,chorar,cansada de falar e simplesmente ninguém me entender,acreditar e nunca acontecer.Cansada de sofrer,de acordar todos os dias e não lembrar dos sonhos que tive,cansada de silêncio,cansada dos gritos,das brigas,cansada de me cansar com essa vida que parece estar a muitos quilometros de distância da paz.

20 setembro 2008

Sua Menina


Ele não necessitava de mais nada a não ser dela.Dela inteiramente e integralmente.


A amava desde o primeiro instante em que a viu.Era linda.Uma beleza natural,uma doce loucura que o enlouquecia,de verdade.Uma sinceridade esboçada a cada palavra dita,uma força que dominava sem razão,uma inocência cândida e um sorriso no rosto que tentava disfarçar o estrondo que ele causava em seu coração.O dele,não havia mais jeito, palpitava,batia rápido e gelado uma doce sinfonia.Era ela.Era ela,ele sabia.


Olharam-se,olharam-se bem no fundo dos olhos se descobrindo.Um instante que pareceu uma eternidade para ambos. Foi assim,se apaixonou.


Ela era o contraste perfeito dele,eram totalmente diferentes.Ela,desligada,desencanada,desbocada.Fazia o que queria fazer,chorava quando tinha que chorar,gritava se queria e sorria pra quem tinha vontade de sorrir.Ele,um adorável sonhador,preso nas paredes grossas da timidez.Abatido pelos golpes que levará através da vida,a vida que ele não tinha escolhido levar.Mas feliz,feliz como nunca,feliz como nunca estivera em toda a sua vida.


Ele a amava, amava cada pedacinho dela, cada loucura consentida,cada gargalhada extravasada.Mas ele a queria,a queria por inteiro,e não apenas um pedaço.Queria que fosse sua,mas ela não era de ninguém.A amava ainda mais e se odiava por isso.Por não conseguir fazer dela uma extensão de si.Por não fazer com que ela gostasse dele como desejava,não sentir como ele sentia.


Então ele sufocava as lágrimas e apertava o passo.Escondia propositalmente o seu amor.Entre ruas e esquinas tentava se esquivar da dor que o perseguia todas as vezes que lembrava da sua menina,sua menina livre que nunca conseguiu prender .

De sua menina que era e sempre seria livre,livre como ele nunca haveria de ser.




15 setembro 2008

Felicidades Clandestinas

Felicidade Clandestina, ao ler esse conto de Clarice Lispector tivesse uma sensação estranha. Algo meio momentâneo,que ficou na minha cabeça durante semanas.Uma pergunta que ficava me rondando,martelando durante muitas horas, todas as vezes que eu me lembrava da garotinha do conto.A felicidade clandestina dela era um livro,ela sentia um prazer imensurável ao ler "Reinações De Narizinho" e fingia perde-lo só para achá-lo depois e ficar feliz com isso.


Me perguntei muitas vezes quais seriam as minhas Felicidades clandestinas,aquele prazer em fazer algo que é ilegal,aquele momento fantástico e prazeroso só meu.Não consegui responder.Engraçado isso,porque eu conseguia ver felicidades clandestinas em todas as pessoas ao meu redor menos em mim.


Alguns tem prazer de se conhecer, outros prazer em serem elogiados, na coragem própria.Outros prazer em se descobrir um pouquinho ou que alguém faça isso.Alguns em comer algo gostoso.Felicidades ao receberem sorrisos,verdadeiros ou não.Em amores PROIBIDOS,em dizer o que pensam,nas lágrimas involuntárias.Felicidade por todos,todos os cantos.Cheiro de chuva,luzes de natal,piscina no verão,plenitude,amizade,unhas feitas,sonhos.Felicidades clandestinas escondidas no conhecimento individual ou de alguém,em ouvir certas palavras,no arrepio,na escrita,no latido de um cachorro ao chegar em casa,na alegria dos filhos.


Ao olhar a minha volta descobri.Estava ali o tempo todo,o que eu me perguntei durante semanas,ao meu lado.Minha felicidade clandestina é descobrir a felicidade clandestina dos outros.Sinto-me verdadeiramente clandestina nesses momentos,buscando a utópica felicidade.

14 setembro 2008

Última folha do outono

E eu fico vendo o que eu sinto por você ir acabando aos pouquinhos. Como a última folha caindo no outono,ontem eu derramei a última lágrima por você,simples,salgada,doída.

Como me doía ver você,hoje já não dói mais.Sinto mesmo um acréscimo de estima por mim,meu ego se aflora,por saber que eu posso sim viver e continiuar seguindo minha estrada.

Há algum tempo atrás poderia dizer que a minha felicidade estava ligada à algo ou alguém. Hoje sinto que não,não mais ,ser feliz é pra mim.Eu nasci pra essa tal felicidade,eu nasci pra caminhar e trilhar meu caminho sozinha.

E quando eu ia no telefone,só pra ver se ele estava fora do gancho ou cortado porque você não me ligava.Não estava.Doía tanto.Isso é passado,um passado distante e tão remoto.Um novo livro esta sendo escrito por mim,ou melhor,um novo capítulo.Tão simples como tempestade de verão,complicado como nevar em um país tropical.

O que mais me machucava eram o seus silêncios e hoje, já não me dói mais.
Se eu calei foi por tristeza,você calava por calar !

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"Joguei sobre você tantos medos, tanta coisa travada, tanto medo de rejeição, tanta dor. Difícil explicar. Muitas coisas são duras por dentro."

Caio Fernando Abreu
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12 setembro 2008

Dança

Dança,densidade,desafio.Desconfiar,descobrir.Dançarino dança,duela,dribla,domina.Diz-que-diz,dobra e desdobra.Desagrada,desperta desejos.
Dança.Domínio da dama,domar,dominar.Dono.Doce dualidade.Dilema.Dogma domesticado.Desejo,desejar,desejado.Despentear,delírio,debaixo devagar.Decolar duradouro.Durante dor deliciosa.Delirar.
Dança.Defeito,dentes,debater,defender,discutir,desgostar.
Dança.Distância.Descartar.Despedida.

11 setembro 2008

Fruta verde

Ela era tão bonita. Doce, delicada, emotiva. Cabelos compridos e sobrancelhas ralinhas emoldurando seus olhos castanhos claros.


Ela era tão jovem. Ela era tão morta como fruta verde arrancada do pé. E foi assim mesmo que lhe tirara a vida, de covardia.


Ela era pássaro novo fora do ninho e lhe cortaram as asas, de ímpeto, deixou de viver no nosso mundo. Tudo tão rápido que não houve tempo de sentir dor, nem saudade.


Arrancou muitas lágrimas de quem a amava, suspiros que não voltam nunca mais.


É pena, mas a morte é irremediável, a única coisa que nunca vai poder ser apagada.