25 dezembro 2008

Todo o meu ódio por você

Eu sinto ódio .

Ódio por me transformar nessa garota tola e apaixonada,algo que eu nunca pretendi ser.

Ódio por você com todo esse seu jeito,me obrigar a te amar,eu nunca planejei te amar .

Ódio por você simplesmente me transformar,mudar a minha vida e muitas das minhas idéias.Eu não queria mudar.Estava satisfeita dentro da minha bolha de sabão.

Ódio por você me mostrar a realidade, mesmo que seja duro todas as vezes enxergá-la. Eu nunca pretendi ver a realidade.Estava feliz no meu mundo de sonhos.

Ódio por você bagunçar minha vida, bagunçar a minha história e acima de tudo bagunçar as minhas concepções. Eu nunca pensei estar errada.

Ódio por você nunca me abandonar, mesmo eu estando completamente errada na maioria das vezes.Eu sempre quis estar sozinha.Ódio por você me roubar o prazer da solidão.

Mas,acima de tudo eu te odeio por eu não querer voltar atrás,por simplesmente não conseguir e nem querer substituir nada por algo que já foi meu.Com você,eu nunca pensei em voltar atrás,eu nunca sequer olhei para trás.Tive medo de virar mais uma estátua de sal.Você mais do que ninguém me entende.Sabe e quer me entender.

Eu tinha planos para nós dois,e neles nós não éramos mais do que apenas amigos e ali estava o ponto final.Eu tinha planos pra nós dois mas você tinha planos ainda maiores para mim.

23 dezembro 2008

Vamos Juntas !

As quatro se olharam. Era realmente isso que queriam fazer?O medo estampado em cada um dos olhares.
"E se alguém nos pegar?"
"E se um conhecido aparecer?"
"E se minha avó resolver passar por aqui ? Ela me simplesmente me mata !"

Pensamentos transmitidos em sintonia na cabeça das amigas,era como se todas estivessem equalizado numa mesma sintonia de rádio.E o rádio não se cansava de repetir a mesma mensagem.“- Vão pegar vocês!”, “- Vão pegar vocês !”,“- Vão pegar vocês!”.

Até que uma delas tomou coragem e interrompeu o silêncio constrangedor.Nós temos que fazer isso.E porque perguntou a outra um pouco assustada com a própria ousadia.“-Porque nós temos que fazer isto Luisa?Eu não quero,não vou.”

E as quatro continuarem sentadas ali,num banco de praça escondidas do olhar curioso das pessoas que passavam.Luisa,Marilia,Beatriz e Sabrina.

“-Eu quero fazer e ponto.Tenho 13 anos,quero experimentar.Que mal a nisso?”Luisa Olhou para as amigas,nenhuma esboçava sinal de resposta afirmativa ou negativa.Pegou a mochila,lá dentro um maço de cigarros e uma caixinha de fósforos amassados entre os livros e cadernos.Os tomou nas mãos.Se sentia ainda mais mulher por isso.Abriu a pequena caixa,tirou um cigarro e o acendeu.Olhou novamente para as amigas.“-Que mal a nisso? Que mal,me digam?Esse vai ser nosso segredo.Toma Marilia,pega um.Você também Bia.Ah e você também Sabrina,vai fumar sim,você prometeu se lembra ?”

Acenderam os 3 cigarros restantes e fizeram contagem progressiva.
"-1,2 e 3 já !”
Disseram as quatro ao mesmo tempo.Deram um longa tragada no cigarro.Os olhos fechados,todas em uma profunda tensão coberta de fumaça.Ao terminarem de tragar, a fumaça saiu pelos quatro narizes,escura,cinza e pesada.Tossirem muito,engasgadas com a fumaça espessa.Sabrina as olhava com ar de espanto.Não acreditava que ela tinha realmente feito isso.Todas se olhara, e deram longas risadas agudas.Gargalharam alto surpresas com toda aquela ousadia.

Naquele dia elas descobririam que ser mulher não é apenas ser mas sim parecer,e naquele momento, era o que aquilo tudo significava : SENTIR-SE ainda mais mulher.Não que isto fosse uma realidade,mas era uma realidade na qual elas acreditavam se encaixar.

O significado de tudo aquilo em si não importava realmente.O que importava era que as amigas agora estavam ligadas ainda mais profundamente,possuíam um segredo. Se tornavam naquele instante mais do que amigas,agora eram cúmplices.E a amizade era realmente aquilo,elas pensavam.Se abdicar,se doar por um segredo,por uma alegria.Não era dizer "Boa sorte” mas sim “Vamos Juntas” .

16 dezembro 2008

Dois estranhos



A vida é engraçada. São tantos enganos,tantos erros e tantas mentiras que podem separar duas pessoas.E foram todos esses desenganos que trataram de separá-los. Conheceram-se na escola, eram amigos, viviam grudados um ao outro até que um dia descobriram o amor na forma mais pura que se pode encontrar,o primeiro amor. Se olharam, as mãos se tocaram e os lábios finalmente se encontraram. Era um dor de barriga gostosa, um arrepio que tocava a alma,uma imensa felicidade que vinha por dentro e arrebatava cada órgão do corpo aos pouquinhos.Tinham pouca idade ela 12,ele 13.Eram crianças apesar de não se considerarem assim.Aliás ninguém nessa idade se considera criança,queremos mais é crescer,ter uma vida adulta e principalmente viver como um adulto.

E aos pouquinhos o amor deles foi crescendo,tomando um espaço cada dia maior na vida de ambos.Ela escrevia nas carteiras da escola seus nomes cruzados num enorme e gordo coração,ele que antes só pensava em jogar futebol deixava os amigos e a bola de lado para ficar ao seu lado no intervalo.Não eram namorados,continuavam sendo amigos.Amigos que se adoravam,apaixonados um pelo outro.Amigos que sentem borboletas voando na barriga toda vez que se viam.Amigos.

Até que um dia acabou o ginásio e ele teve que sair da escola onde havia crescido,saia rumo a um novo mundo.Ela não queria,ele também não,mas aconteceu.Tinha que acontecer.
Mantiveram contato por mais algum tempo até que ele que em pouco tempo havia se tornado escasso,se tornou nulo.Eles já não se falavam mais.

Ela
Passaram-se anos.
Ela namorou,desmanchou,namorou novamente e terminou.Levava uma vida sossegada,trabalhava e fazia faculdade.
Estava mais mulher,mais viva a cada dia.Cabelos escuros desmanchando sobre os ombros da mediana garota.
Era de manhã.Ela ia ao trabalho e por uma coincidência (ou não?) resolveu tomar um outro ônibus que seguia outra linha.Deu sinal.Entrou no ônibus,pagou o cobrador.Quando finalmente olhou para o interior do automóvel não pode acreditar.Era ele,ali,tão perto.
Há quantos anos não se viam? E as borboletas voltaram ao estomago, e a vida voltou a ser colorida.E as coisas voltaram a fazer sentido.
Pensou em se sentar ao seu lado e lhe perguntar da vida,como andavam as coisas.Mas e se ele nem se lembrasse mais dela?Talvez.
Pensou em lhe dar um abraço e um grande beijo nas bochechas.Porém , lembrou-se que ele não era mais seu amigo,ele agora era um desconhecido,um desconhecido que já fora essencial na sua vida,mas agora,apenas um desconhecido.
O olhava fixamente.Ele também a olhava.
Resolveu não cumprimentá-lo,sabe-se lá o porque.Sentou em um dos bancos e ali ficou.Emocionada com aquele momento que tantas e tantas vezes sonhou acontecer.


Ele
Ele cada dia mais voltado às festas e às mulheres.
Alto,magro,cabelos de um preto azulado,sobrancelhas grossas emoldurando os olhos pequeninos.Se tornara um homem atraente.
Era de manhã ele saia de uma festa que havia terminado tarde demais,voltava de ônibus sentado em um dos muitos bancos vagos.Ele a viu,sentiu o estomago embrulhar,e ficou abismado em saber que ela ainda tinha o mesmo poder sobre os seus sentimentos mesmo depois de tantos anos.
Sentado ali no ônibus pode ver a mulher da sua vida entrar e se sentar sem ao menos lhe cumprimentar.Num primeiro momento sentiu raiva ,por ela não ter nem apenas lhe ter dedicado um simples Oi.Mas e se ela havia se esquecido dele?
Ela estava tão linda,mais linda do que nunca.Quis correr e abraçá-la,quis matar-lhe de beijos ,quis voltar no tempo rumo a um passado feliz junto dela.Depois quis não existir e por fim quis não estar naquele ônibus.
Teve vergonha ,vergonha de não ter mais ligado,vergonha da vida que estava levando.
Pensou em se levantar,sair do ônibus e ir embora para sempre.Uma,duas,três vezes.
Não conseguia.Não podia.Não o fez.

As histórias juntas novamente
Chegava o ponto em que ela deveria descer,ela gostaria de não descer daquele ônibus nunca mais.Estava tão próxima daquele que era o seu primeiro e grande amor.Tão perto e tão longe.
Mas tomou coragem e se levantou,deu sinal de parada olhando para um outro lado e fingindo não o ver.Ela ia deixar definitivamente o passado para trás.Ele iria junto com aquele ônibus para sempre,estava certa disso.
O ônibus parou ,a porta se abriu.Desceu o primeiro degrau da escada de saída quando sentiu alguém pegando em sua mão.Era ele,era ele,era ele !Ele havia pegado na sua mão.

Ele olhou-a com seus pequeninos olhos negros que mais pareciam duas jabuticabas.
“-Não se lembra mais de mim ?”.
Desceram juntos as escadas.
“-Como eu me esqueceria de você ?Pensei que você é que não se lembrava mais de mim!
Foi por isso que não te cumprimentei.Desculpe.”

Sorriram.O sorriso de cumplicidade que no passado era tão cotidiano e que agora provocava uma angústia tão grande que chegava a ser patética.
Se olharam,os olhos se encontravam novamente,as mãos que haviam se tocado num passado distante agora voltavam a ser só uma ,entrelaçadas.
Se abraçaram perguntando-se como puderam ficar longe por tanto tempo .

11 dezembro 2008

Caminhos e destinos


E é chegada a hora de pensar na vida.


Em tudo o que poderia ter acontecido e não aconteceu. Em todas as possibilidades que não se concretizaram.Me arrepender de tudo o que eu não fiz.

Em todas as risadas que eu não dei e nas lágrimas que perdi. Hora de pensar no que andei fazendo, em quantas vezes neguei o que eu sentia de verdade. Em todas as vezes que chorei sozinha debaixo do cobertor.

Hora de pensar nas risadas gostosas que já dei, nos momentos que mais me davam prazer, na alegria imensa que eu sentia ao fazer algo que eu gostava.

Agora é a hora de olhar para frente e decidir qual caminho seguir.Mas qual será o melhor ?São tantos os caminhos e tantos os destinos que eles podem me levar !

Sabe, a vida parece ter perdido suas cores, as imagens que vejo são todas em preto e branco.Quero fechar meus olhos novamente, pegar meus sonhos e meus desejos enfiar numa mala e seguir,quero apenas ter força para seguir.

04 dezembro 2008

Continente a ser descoberto


E continuamos seguindo o nosso caminho.Não entendendo,quebrando a cara,chorando,se lamentando,fazendo as pazes,se abraçando,esmagando cada dia mais o coração com todo esse sentimento.

E quando a gente resolve jogar tudo pro ar e desistir de tentar bate aquele arrependimento. Não. Há de se tentar outra vez. Dessa vez vai dar certo. E tentamos novamente. Não porque não saberíamos viver um sem o outro, saberíamos sim.Todos sabem.Ninguém é tão especial a ponto de ser insubstituível.Não porque o nosso amor é tão grande a ponto de calar a nossa arrogância.Não por isso. E nem porque ele é uma das partes mais lindas da minha vida.Tento novamente pelo o que ele significa pra mim,pelo o que simboliza.Simboliza o mistério.O mistério que envolve todos os dias a minha vida e a vida de todo mundo.As nossas vidas.

Trabalhar,estudar,comer,conversar,conhecer,ler,tomar,ouvir,falar sem saber o que vai acontecer depois.
Ele significa paz,consolo,harmonia e equilíbrio mas,acima de tudo simboliza todos os mistérios e os segredos da vida.Ele é um continente a ser descoberto.Ele é a vida onde ninguém entende o que acontece mas que todos desejam entender.