01 novembro 2010

Do latim, Liber.

Restituia-se aos poucos. O fato era que ainda não sabia ser sozinha. Era como se, depois de anos de companhia, ela simplesmente não existisse sozinha. Precisava realmente o ser, mas o que lhe era ser? Quem era ela no final do cálculo matemático? Convencia-se cada dia mais que um dos maiores problemas em estar todo o tempo acompanhada, era não saber estar sozinha. Não dar valor a solidão. E solidão tem lá suas qualidades, sabia disso. Queria crer na possibilidade de erguer seus olhos e seguir. Apenas um par de passos na areia. O que desejava ainda não possuía nome. Era mais que liberdade: era voar sem destino, era ter consciência do que tinha sido e do que era. Ter pleno conhecimento de si, autoconsciência de sua alma e de seus desejos mais profundos. Uma urgência dominava-lhe a alma. Precisava de liberdade, sim de liberdade.

Era composta por anseios, por urgências que vinham sempre fora de hora. E, naquele momento, ansiava por solidão, por liberdade, por frases sem nexo. Queria que uma vez em seu vida, nada fizesse sentido, queria acreditar que bastava colocar algumas roupas na mochila e seguir viagem. Tudo aquilo era passível de tocar? De fazer sentido? Desejava bastar-se, sim, satisfazer-se apenas consigo. Afinal, parava e refletia, somos assim, sozinhos. Nascemos sozinhos, morremos sozinhos. Era mais que necessário saber estar só. Ancorava seus pensamentos a um ponto de partida e um ponto de chegada. Traçava mil planos no ar, enquanto desenhava as curvas sinuosas de um vôo livre e libertador.