
Restituia-se aos poucos. O fato era que ainda não sabia ser sozinha. Era como se, depois de anos de companhia, ela simplesmente não existisse sozinha. Precisava realmente o ser, mas o que lhe era ser? Quem era ela no final do cálculo matemático? Convencia-se cada dia mais que um dos maiores problemas em estar todo o tempo acompanhada, era não saber estar sozinha. Não dar valor a solidão. E solidão tem lá suas qualidades, sabia disso. Queria crer na possibilidade de erguer seus olhos e seguir. Apenas um par de passos na areia. O que desejava ainda não possuía nome. Era mais que liberdade: era voar sem destino, era ter consciência do que tinha sido e do que era. Ter pleno conhecimento de si, autoconsciência de sua alma e de seus desejos mais profundos. Uma urgência dominava-lhe a alma. Precisava de liberdade, sim de liberdade.