29 agosto 2009

Quando acabou

Quando acabou, desistiu de acompanhar os naufrágios e decidiu caminhar sozinha. Queria esquecer todo aquele sentimento em algum lugar, até que um dia ao encontrá-lo, audaciosa lhe perguntasse: Ei, você ainda esta aí? Engoliu o choro, transformou a dor em passatempo, construiu um grosso e forte muro de proteção em torno de si. Afinal, as coisas, todas elas, possuíam um começo, um meio e um fim. E ali estava o fim, era evidente. Custou a entender isso, mas um dia, viu a estrada se bifurcando e então teve certeza: era hora de construir algo novo, caminhar por um longo trecho sozinha e deixar todas aquelas lembranças guardadas em um canto qualquer.


Até que um dia, distraída em uma avenida movimentada, viu um vulto passar próximo de si. A mesma forma esguia de sempre, a mesma expressividade, o mesmo andar, os mesmos olhos desconfiados. Porém, ele nem de longe possuía o mesmo peso que um dia havia possuído. Ele era a mesma pessoa, ela não. Incrível como aquela sensação não lhe causava mais nada. Nem metade do pavor que teria sentido antes, nem um terço de todo aquele amor que um dia, desesperada, desejou calar. Nada. Apenas um sentimento resignado, calmo, consciente de que todo aquele sentimento desenfreado havia se transformado em calma brisa de verão.

Foi só então, apenas a partir dali, que ela teve certeza: havia acabado.