21 agosto 2009

Flor de maio

Sentou-se no sofá branco olhando fixamente para algo. Olhava, mas não via nada, perdida em algum lugar dentro de si. Os olhos parados, duas grandes órbitas presas em outra dimensão, perdidas na imensidão de toda uma vida... Quando saiu do transe, colocando-se novamente dentro do mundo real, percebeu um pequeno ramo flores em um jarro de água. Logo ali, na estante de sua sala. Eram algumas daquelas flores de maio, lindas, exuberantes e delicadas ao mesmo tempo. Alguém havia lhe dado, alguém que ela nem ao menos se lembrava. Poderia ter sido qualquer pessoas, mas isso realmente não importava. Importava apenas, que aquele pequeno ramo de flores de maio era realmente especial, era não, havia se tornado especial naquele exato momento. Ela havia se dado conta, ali submersa na correnteza sem direção de sua alma que aquelas flores não haviam desabrochado em maio, mas sim em agosto.

As flores estavam ali há tanto tempo, mais de uma semana e o ramo ainda não deixava escapar nem um tantinho de sua vida e graça. Verde, imponente quase que implorando, esperando por alguém que lhe desse nova terra, esperando por alguém lhe devolvesse a vida. Flores de maio em sua estante da sala. Exalando e não exalando vida, um daqueles milagres acidentais da natureza, como um lindo arco íris no asfalto.

Ela era uma flor, ela era uma flor de maio e como a flor, precisava de nova terra, necessitava de um ponto de partida para novamente recomeçar. Pegou o ramo de flores delicadamente e foi até a varanda de sua casa. Pensava em plantá-lo em algum em algum vaso. Era isso o que ela também pretendia fazer a si mesma a partir daquele momento. Nova terra, nova vida.