15 setembro 2008

Felicidades Clandestinas

Felicidade Clandestina, ao ler esse conto de Clarice Lispector tivesse uma sensação estranha. Algo meio momentâneo,que ficou na minha cabeça durante semanas.Uma pergunta que ficava me rondando,martelando durante muitas horas, todas as vezes que eu me lembrava da garotinha do conto.A felicidade clandestina dela era um livro,ela sentia um prazer imensurável ao ler "Reinações De Narizinho" e fingia perde-lo só para achá-lo depois e ficar feliz com isso.


Me perguntei muitas vezes quais seriam as minhas Felicidades clandestinas,aquele prazer em fazer algo que é ilegal,aquele momento fantástico e prazeroso só meu.Não consegui responder.Engraçado isso,porque eu conseguia ver felicidades clandestinas em todas as pessoas ao meu redor menos em mim.


Alguns tem prazer de se conhecer, outros prazer em serem elogiados, na coragem própria.Outros prazer em se descobrir um pouquinho ou que alguém faça isso.Alguns em comer algo gostoso.Felicidades ao receberem sorrisos,verdadeiros ou não.Em amores PROIBIDOS,em dizer o que pensam,nas lágrimas involuntárias.Felicidade por todos,todos os cantos.Cheiro de chuva,luzes de natal,piscina no verão,plenitude,amizade,unhas feitas,sonhos.Felicidades clandestinas escondidas no conhecimento individual ou de alguém,em ouvir certas palavras,no arrepio,na escrita,no latido de um cachorro ao chegar em casa,na alegria dos filhos.


Ao olhar a minha volta descobri.Estava ali o tempo todo,o que eu me perguntei durante semanas,ao meu lado.Minha felicidade clandestina é descobrir a felicidade clandestina dos outros.Sinto-me verdadeiramente clandestina nesses momentos,buscando a utópica felicidade.