31 maio 2009

Questionamentos sobre o amor no trânsito

Eis que outro dia me vi presa em um congestionamento em plena Dutra. Não, eu não estava de carro, mas sim de ônibus. O que eu aliás, considero mil vezes pior. Eu ali, presa naquele belíssimo congestionamento, as buzinas entupindo os meus ouvidos, a fumaça de todos aqueles escapadores enchendo meus pulmões. Bom, daí em diante eu simplesmente não consegui mais ler o bendito texto que eu precisava ler para a faculdade. Maldição! Pensei eu.

Trânsito, buzinas, fumaça e duas mulheres sentadas no banco da frente que não paravam um minuto de falar. Respiro fundo. Ok, só mais 30 minutinhos e eu saio desse ônibus maldito. Quando me dei conta estava prestando atenção na conversa das duas mulheres. Ambas de meia idade, conversando alto e distraidamente. Elas conversavam sobre o amor, achei engraçado. Amor? Aqui, na Dutra? Meu Deus era quase uma profanação! É óbvio que eu me interessei pelo assunto. A mulher loira que aparentava ser a mais velha, dizia: “-Porque amor não é isso... Não amiga, não é! O eu sinto por ele não é amor não... amor é desejar, é sentir saudade, é querer estar junto. Amor era o que eu sentia pelo Jurandir aquele cafajeste (...)” e outras coisas mais que eu, sinceramente, não consegui entender por conta do barulho insuportável do motor do ônibus e daquelas buzinas infernais.

Meu Deus, pensei, por que RAIOS as pessoas idealizam TANTO o amor? Tá. Então aí vai o meu recado para você minha querida mulher do ônibus: Amor não é nada disso o que você disse. Aliás, pensando melhor, até pode ser que seja no inicio. Porém, desculpe-me te dizer mas nesse caso não é amor, mas sim paixão. E paixão, passa rápido assim como vem muito rápido. Amor é algo que vai sendo construindo aos pouquinhos tijolo por tijolo, uma hora com um abraço, outrora com uma palavra de carinho. Sabe o Jurandir, esse cafajeste que você disse que foi o único homem que amou? Pois é, aquilo sim não tinha a menor chance de ser amor. Talvez fosse desejo, mas amor, amor mesmo eu acredito que não seja. Minha querida, pra que idealizar tanto as pessoas? Para que idealizar tanto o amor? Idealizar é um passo certeiro rumo à infelicidade. É um fato simples e muito compreensível: nada nunca é do jeito que desejamos que seja.