13 março 2010

Exagerada

Eu amo fazer uma tragédia, colocar algumas vírgulas a mais, algumas pausas, exagerar na intensidade. Aliás, pra falar a verdade, eu sempre amei exagerar, não tenho vergonha alguma de admitir! Se é genético ou não, não sei, mas desde pequenina sou assim. Digo: “Minha cabeça hoje está prestes a explodir!” Quando na verdade a dor de cabeça passa com um comprimidinho e dez minutos de sono; “Ontem bebi litros de álcool.” Quando, na verdade, bebi uma taça e meia de vinho; “Não tenho roupa alguma!” Mesmo que o meu armário esteja vomitando peças; “Hoje eu só quero morrer!” Quando uma boa noite de sono e umas boas linhas de escrita podem realmente me acalmar.

Já ouvi algumas pessoas dizerem que o meu problema é esse, sou intensa demais em tudo o quê costumo fazer. Será problema ou solução? Já pensei tanto nisso... Porque sim, ser dessa forma pode causar efeitos colaterais adversos. Da mesma forma que pode te trazer coisas boas, igualmente pode trazer coisas ruins. Mudar? Sim, há sempre um jeito, mas todos que optam por este caminho podem estar sujeitos a duras penas. Afinal, mudar a essência pode causar danos irreparáveis. Há algumas semanas, lendo o livro “Clarice,” me deparei com uma frase da própria Clarice Lispector que me tocou: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” Acredito que isso seja uma verdade absoluta. Todos nós somos compostos de defeitos e qualidades, erros e acertos, que formam o nosso interior, que nos identificam e caracterizam. Faz sentido querer mudar as colunas de uma edificação? É claro que não! Corremos sempre o risco de perder toda uma construção, que levou anos para ser concluída. É por essas e por outras que eu sempre defendo a autenticidade, a personalidade, a essência única que cada ser possui. Que nós sejamos essência, sempre! E que vivamos sim com os nossos exageros ou com a falta deles...




Esse post só poderia ter uma trilha sonora: ♫ Exagerado - Cazuza ♫
"Eu nunca mais vou respirar, se você não me notar. Eu posso até morrer de fome se você não me amar... E por você eu largo tudo: Vou mendigar, roubar, matar. Até nas coisas mais banais, prá mim é tudo ou nunca mais! Exagerado, jogado aos teus pés eu sou mesmo exagerado. Adoro um amor inventado..."