24 novembro 2008

Um mundo particular

Aquele mundo era somente dela.Ela não permitia que outras pessoas entrassem nele.Nunca ninguém entrou nele por completo,só se sabia de alguns poucos pedaços de sua vida,que juntos davam um quebra-cabeça com peças desconexas.

Nele todas as pessoas eram tão previsíveis a ponto de dar sono.Todas as suas ações,todos os seus gestos eram friamente observados.Ela era uma observadora da vida,admitia.As mentiras,as falsidades,os gestos mesquinhos estavam perigosamente próximos dela o tempo todo,e ela os via em todos os lugares.Entretanto, ela não contava isso para ninguém,pois esse era um detalhe do seu mundo que ninguém,absolutamente ninguém deveria saber.

Ela era diferente de tudo o que conhecia.E isso doía tanto.As vezes,tinha vontade de ser igual a todas as outras pessoas,se igualar e tocar a vida pela estrada sem pensar muito.Mas não dava para fingir que era igual.Ela não era.E,por isso se sentia tão sozinha,fechada por grandes,enormes portas e janelas brancas.Aquele mundinho particular,fechado para visitas.Desde sempre e para sempre um livro fechado.

Naquele dia,mais do que nunca se sentia como um soldado fora da marcha,um peixe fora da água.
Ela,o seu mundo e os seus livros fechados para sempre.