14 fevereiro 2009

Beijando Sapos

Tá.
Você está cansada desses caras que ficam contigo na balada durante trinta minutos e esquecem da sua existência. Está cansada de procurar por aí. Suas amigas já te apresentaram todos os amigos, primos, conhecidos. Pretendentes possíveis e impossíveis. Rolou de tudo. Desde loiros lindos com um amendoim no lugar do cérebro até dentuços que tinham uma conversa daquelas de deixar qualquer mulher zonza. Mas não rolou, eu sei como é. Você não namorou com nenhum deles. Quando tem que acontecer acontece, quando não tem que acontecer não acontece e ponto final. E você já está cansada de beijar sapos.

Você quer um cara legal, nem precisa ser bonito. Que goste das mesmas coisas que você, te entenda, compreenda.
Chega um momento em que você nem tem mais vontade de sair tamanho é o seu pessimismo de encontrar seu príncipe encantado. Suas amigas te ligam chamando para uma festa super maneira, mas não você não está nem um pouco afim.

Resolve ir até a padaria, comprar uma bela barra de chocolates, pão doce e refrigerante.
"-Já que namorar ta tão difícil, então vamos comer” Você pensa. Chegando lá, você dá de cara com um homem lindo, alto, moreno. Um Deus grego de cima a baixo. Daí, você se lembra que está horrível, que nem penteou os cabelos antes de sair de casa. Faz de conta que nem o vê. Mas você o viu, o viu mais do que nunca. Olha de novo e ele sorri pra você. Sim, ele sorriu pra você. Da pra acreditar? Ele é balconista. Nossa balconista! Você nunca viu um balconista tão lindo quanto ele.

Agora você está feito uma boba olhando para cara dele e ele te perguntando quantos pães você vai querer. Acorda garota! Ele está te perguntando quantos pães você quer. "-Ah me dá oito pães e o seu coração. Lindo!" Você tem vontade de dizer. Mas deixa pra lá, você jamais seria tão ousada assim.

A partir deste dia você irá todos os dias, religiosamente à padaria. Essa rotina continuará durante dois meses. Você vai à padaria, o balconista lindo te olha e sorri , você sorri de volta, pede os pães e vai embora. Sua casa começa a ficar cheia de pães velhos, aos quais sua mãe transformará nas mais diversas modalidades da culinária, tais como pudim de pão, bolo de pão, mousse de pão, salada de pão.... BLÉÉÉ chega de pão! Tá na hora de você falar com o cara não acha?

Até que num belo dia você decide finalmente falar com ele. Ou vai ou racha. Promete a si mesma que nunca mais irá comer pão em sua vida. Além dos quilinhos a mais sua dignidade esta em jogo. Você chega a padaria, ele lhe dá um sorriso lindo e pergunta quantos pães vai querer, você quer tanto qualquer puxar um assunto com ele, você quer tanto ser sua princesa e que ele seja o seu príncipe, você quer tanto tantas coisas. Porém, a única coisa que você consegue dizer é o numero de pães. Malditos pães! Tantos caras e você se apaixona justo por ele. Já chega.


Ok, já chega de amor platônico. Está decidido. Amanhã nada de pão, nada de balconista que não te dá a mínima bola. Amanhã você vai cair na balada, namorar com o primeiro cara que aparecer... Nem que ele tenha um amendoim ou uma castanha-do-pará no lugar do cérebro, igualzinho ao primo da sua melhor amiga. Aliás, o tal padeiro nem deve ser tão sensacional assim. Deve ser apenas mais um sapo. E de sapos você já está farta! Quanto mais sapos que não sabem, sequer, da sua existência.

No dia seguinte o balconista sente sua falta. Ele também queria muito falar com você, mas simplesmente não conseguia. Entretanto, hoje finalmente, ele tinha tomado coragem. Ia perguntar seu nome, pedir seu telefone, te ligar, convidar você para sair. Ah, e só para que você saiba o nome dele é Miguel. Ele não é um príncipe encantado, muito menos um sapo. Ele é apenas tudo o que você sempre desejou de alguém.

Quantos amores nem começam por falta de coragem?